quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vem.

"Vem, me abraça." Ele disse, e como resposta eu virei para o lado contrario de seus braços e disse: não. Um não sutil, um não como quem pede um abraço, um não como quem suplica: "Me pergunte o que há." E ele simplesmente levantou-se, vestiu a camisa, a calça, pegou as chaves e foi embora. E não ligou, e não perguntou, e não me abraçou. E ali, na cama mesmo, ficou o nada, aquele vazio típico de quando ele levantava da cama. Ficou o frio. Eu e o frio. Frio do meu peito. Fiquei assim por tanto tempo que adormeci por dias em mim. Mergulhei imensamente no que significava não tê-lo mais. Nunca mais. Nunca. Eu que sempre achei que "nunca" e "para sempre" eram tempo demais agora repetia para lembrar-me que sim, nunca mais. Era isso que significava o rompimento.
Suas mãos nas minhas coxas. O sol rasgando nossos gestos ao amanhecer. Tua língua nos meus poros. Teu perfume no meu travesseiro. Nossos lábios encostados. Tua carne pedindo abrigo. Pedindo abrigo meu coração. E nada. Nada acontecia. Nada se passava. Dias iguais as noites. Outono terminado. Inverno que chega. Vão que me intimida. E você lá. Aonde? Não sabe? Não sei. Talvez tenha se perdido, e é por isso que não bate à minha porta. Ou talvez tenha te perdido, o que também justifica a sua ausência nos meus lençóis. 
O fato é que te espero. É um fato. Te espero aqui. Ainda que para dizer um segundo não, só para tentar ser compreendida. Para ganhar abrigo. Para me deleitar no teu olhar as oito e quinze da manhã. Para ouvir teu zíper fechar, ouvir o barulho da chave nas suas mãos. Ouvir tuas mãos e respiração frias, como o mesmo frio que você perdeu no vácuo. Para talvez, voltar atrás. Para talvez não romper nada, nem comigo, nem contigo. Para talvez como um ataque desesperado correr atrás de você no meio da rua só para dizer "Tudo bem,vem, eu te abraço."

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