sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Estou sentada na poltrona antiga, com roupas antigas, esperanças antigas e desordem. Muita desordem. Desordem em volta. Livros fora da prateleira, copos e garrafas ao chão, velhas cartas e números de telefones espalhados. E aquela sensação de vazio. E olho a paisagem sem cor, sem cheiro, sem vida. E olho com a sensação de raiva e rapidamente com aquela sensação de morte. E mais rápido ainda me sinto entorpecida, como se nada sentisse, nada soubesse, nada vivesse. Nada vivesse lá fora, nada vivesse aqui dentro. Às vezes, involuntariamente começo a me familiarizar com a ideia de morte. Morrer não seria tão ruim. Ao mesmo tempo que penso que a tempestade é só pra me deixar mais forte, madura, sem medos, penso que a tempestade é o início do meu fim. E no estado que estou, com as garrafas jogadas, bebendo desesperadamente, um vinho velho com esperanças velhas, o fim seria o começo da volta da minha vida. Mas o fim não chega. Não chega o início. Nada bate à minha porta. E eu estou morrendo. E algo grita: me deixe morrer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Às vezes tenho medo de que a criança que fui esteja zangada por aquilo que me tornei. Tenho medo de sentir medo daqui a dez anos porque não serei aquilo que quero me tornar.