quinta-feira, 18 de julho de 2013

(...) entre copos, bebidas e amores.

Aí eu pergunto:Porque? Porque não podia ser eu mesma perto dele? Porque sempre que eu tentava eu me imaginava no fundo do poço, no fundo de um bar, olhando pra o fundo de um copo, contemplada por um bando de gente que ria, e bebia e se deliciava com todas a minhas angústias.E não é papo de bêbada não.
 Não é questão de achar que o mundo todo se volta contra mim todos os dias. Mas confesso que é um pouco de tédio que se mistura com aquela velha decepção e BUM! Ta feito. Mais uma paixão retumbante que foi pro saco. Mas tudo bem, meu amor, eu não vou derramar nem uma lágrima. Sabe porque? Porque entre tantos devaneios e músicas e cartas, eu aprendi a rir. É! Rir daquele primeiro encontro marcado que deu errado, rir daquela minha cara de tonta pensando o quanto era pra eu ser feliz mas não deu por sua causa. Por sua causa? O que eu tô falando? Ninguém é feliz por causa de alguém, ou no meu caso pela falta (...) Mas onde eu estava mesmo? Ah (...) sim: rir, felicidade,... Essas coisas que não me visitam a algum tempo, exceto sob o efeito do álcool, mas não, eu não estou bêbada. Eu estou t-o-t-a-l-m-e-n-t-e consciente. E quando eu caio na real e vejo toda essa babaquice, essa sujeira, esse material tóxico espalhado pela minha vida (...) Eu escrevo. 
Escrevo porque não acho que devo sair gritando por aí tudo aquilo que me atormenta, da mesma forma eu preciso me organizar e aí não consigo guardar só em pensamento. Mas o mais preocupante é que ultimamente você tem sido mais centro das atenções no meu pensamento e no papel do que eu mesma.
Talvez devesse existir algum tratamento anti-você. Sabe, eu penso: "se tem tratamento pra quem bebe demais, fuma demais, ama demais, come demais, sofre demais, porque não um tratamento pra quem se ilude demais?" É!! Daqueles que te apresentam métodos alternativos de viver bem sem o sujeito o qual você havia se iludido.
E eu seria a primeira a comprar, justamente por que parece que eu vivo pra sempre no mundo que eu criei e botei você mais como protagonista do que eu. Olha, chega desse papo de bêbada. Acho que vou voltar pro meu fundo do bar, no fundo do poço, contemplando seus passos errados e esperando que você se arrependa. E aí eu vou rir. E aí vou criar um novo texto falando de você. Espera um pouco.
Garçom, traz mais uma? 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Das coisas que me lembram você.

Hoje pensei em você. Mais, bem mais que nos outros dias. Sabe quando você tem a sensação de estar caindo, caindo, mas não chega a lugar algum? É assim que eu me sinto quanto você invade minha mente. Bem, na verdade você não invade, você não faz nada, aliás, você nunca fez nada. Eu que por consequencia de você, não te deixo sair de mim. 
Indescritivelmente exato, instintivamente ao contrário, contrariado por inteiro nas minhas tentativas. É você, que ontem, e anteontem e quase sempre aparece nos meus sonhos. E as vezes eu te beijo e as vezes me vingo, e meu bem.. quando em vingo, quase saio com triunfo, mas até na vingança é você o tempo inteiro.
Dá vontade de te transformar em poesia. Bom, poesia ou qualquer coisa que te torne mais bonito, mais real, mais presente, já que faz tanto tempo que não te vejo. Dá vontade de te ligar, de mandar uma mensagem com um "oi, olha o céu esta manhã", de me humilhar, tudo em nome de você. De cair de novo em tentação. Cair, cair, cair fora daqui. Seria exato. Não lembrar que você (..)
Que você me abraçou há semanas atrás e foi o ultimo abraço, que você me beijou com ternura e acariciou meus cabelos, e (...) nessas horas eu posso jurar que senti que você gostava de mim. Que tem uma música que me lembra você, como se nós tivéssemos sido "nós" um dia. Que abrir um bom vinho me lembra de você, que olhar o horóscopo me lembra você, que ao acordar eu tenho aquela vaga esperança de te encontrar do outro lado da cama.
Mas você nunca está lá. 

domingo, 23 de junho de 2013

E eu fico triste, não exatamente por você, ou pelo que me fez, mas porque de alguma forma eu imaginei  algo, e materializei isso em sentimentos. Fico com raiva, não exatamente por você, mas por mim, porque eu poderia ter dito não, poderia não ter te dado nada - nem atenção. Eu fico com pena, não de mim, de nem você, mas fico com pena de algo tão lindo se transformar em algo tão (...) nada. Eu sinto fracasso, mas não pelas minhas atitudes, mas porque de fato, a nossa possível relação fracassou, e isso é tão, tão (...) nada. 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ela (...)


Ela acordou. Pisou no tapete macio. Abriu a janela. Só então abriu os olhos. Os seus lindos olhos grandes, castanhos e de ressaca refletiam aquele céu cinza, que fazia as nuvens ficarem com suas bordas pretas e criavam formas esquisitas e abstratas, mas Ela via aquilo tão bonito. Sentia uma espécie de estima por aquilo que se debruçava sobre seu olhar. Ela tocou na sua camisola branca, e percorreu seu corpo com a ponta dos dedos. Tocou o cabelo, esfregou os olhos. Apoiou-se na janela e sorriu. Ela se sentia livre, pura, acordada, viva. Era como se o mundo sorria como resposta ao seu sorriso e entrava numa sintonia superiormente interessante, em cada coisa no seu tempo e espaço. Engraçado, ela que sempre se achou esquisita, deslocada, hoje se via ali, parada, diante de um mundo que se estendia do lado de fora da sua janela, do seu coração.
 E olhava para esse mundo sem dor, ainda que no fundo doesse. Ainda que lá no seu âmago, tinha todas as suas mágoas, uma a uma, guardadas, selecionadas, separadas, filtradas. Ela tinha muito pra contar, ela queria ter o mar, o mundo, queria tudo em suas mãos. Ela queria poder seguir com a certeza de que mais nada a impediria, que a porta permanecesse aberta a qualquer custo, pra ela ir e voltar, e errar e ficar tudo bem. 
Ela, além dela mesma, é um pouco de mim. Ela além dela mesma é um pouco de todos nós. Que buscamos sempre por algo que nos dê segurança, que não nos faça sentir culpa ou arrependimento, ou que pelo menos acabe com nossos arrependimentos certos, que nos faça mudar. E talvez seja tudo isso que buscamos, a mudança. E Ela?
Ah, Ela espera que muita coisa mude. Ela quer ser prudente, madura, independente. Ela quer encontrar o que sempre procurou. Ela quer crescer com as falhas e com os tapas na cara que Ela já levou e levará. Ela quer se sentir realizada com aquilo que escolheu. Ela quer permanecer sempre se dando bem consigo mesma. Ela quer levar arte às pessoas, seja qual for a pessoa ou a arte. Ela quer olhar pra trás sempre com a sensação de orgulho do que fez, mesmo quando tudo parecia injusto demais. E Ela, principalmente, quer a porta aberta e a lembrança do caminho de volta ao seu lar, aonde quer que seu lar esteja. 

sábado, 20 de abril de 2013

Esse sim é pra você.

Todo esse meu rancor, essa minha raiva, esses gritos internos e vontades de escrever indignidades. Todos esses papéis espalhados escritos com tinta permanente, toda essa sujeira em mim, todos esses pensamentos assassinos, esses monstros pornográficos,  loucos maníacos trancados aqui, roubos nos jogos, nas cartas, na minha cara. Toda essa mentira, essa ânsia (de vômito), essa invasão. Tudo isso é pra você.
O tormento, o acaso, o encontro, o ato, o tédio, o nojo, o abismo, o engulho, o medo, o papel, o local, o caneco quebrado, colado, tentado a ficar bem. O caneco quebrado, quebrado, quebrado. Colado. Não será o mesmo.  É, é pra você.
Por isso, você, que se coloca num pedestal diariamente, você mesmo que se dá essa importância, que pisa, enjoa, joga com gente, rouba descaradamente. Você, pegue esse texto e coloque onde tem que colocar, se coloque no seu lugar. Por que esse sim, esse (meu querido)... esse é sim é pra você.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vem.

"Vem, me abraça." Ele disse, e como resposta eu virei para o lado contrario de seus braços e disse: não. Um não sutil, um não como quem pede um abraço, um não como quem suplica: "Me pergunte o que há." E ele simplesmente levantou-se, vestiu a camisa, a calça, pegou as chaves e foi embora. E não ligou, e não perguntou, e não me abraçou. E ali, na cama mesmo, ficou o nada, aquele vazio típico de quando ele levantava da cama. Ficou o frio. Eu e o frio. Frio do meu peito. Fiquei assim por tanto tempo que adormeci por dias em mim. Mergulhei imensamente no que significava não tê-lo mais. Nunca mais. Nunca. Eu que sempre achei que "nunca" e "para sempre" eram tempo demais agora repetia para lembrar-me que sim, nunca mais. Era isso que significava o rompimento.
Suas mãos nas minhas coxas. O sol rasgando nossos gestos ao amanhecer. Tua língua nos meus poros. Teu perfume no meu travesseiro. Nossos lábios encostados. Tua carne pedindo abrigo. Pedindo abrigo meu coração. E nada. Nada acontecia. Nada se passava. Dias iguais as noites. Outono terminado. Inverno que chega. Vão que me intimida. E você lá. Aonde? Não sabe? Não sei. Talvez tenha se perdido, e é por isso que não bate à minha porta. Ou talvez tenha te perdido, o que também justifica a sua ausência nos meus lençóis. 
O fato é que te espero. É um fato. Te espero aqui. Ainda que para dizer um segundo não, só para tentar ser compreendida. Para ganhar abrigo. Para me deleitar no teu olhar as oito e quinze da manhã. Para ouvir teu zíper fechar, ouvir o barulho da chave nas suas mãos. Ouvir tuas mãos e respiração frias, como o mesmo frio que você perdeu no vácuo. Para talvez, voltar atrás. Para talvez não romper nada, nem comigo, nem contigo. Para talvez como um ataque desesperado correr atrás de você no meio da rua só para dizer "Tudo bem,vem, eu te abraço."

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Estou sentada na poltrona antiga, com roupas antigas, esperanças antigas e desordem. Muita desordem. Desordem em volta. Livros fora da prateleira, copos e garrafas ao chão, velhas cartas e números de telefones espalhados. E aquela sensação de vazio. E olho a paisagem sem cor, sem cheiro, sem vida. E olho com a sensação de raiva e rapidamente com aquela sensação de morte. E mais rápido ainda me sinto entorpecida, como se nada sentisse, nada soubesse, nada vivesse. Nada vivesse lá fora, nada vivesse aqui dentro. Às vezes, involuntariamente começo a me familiarizar com a ideia de morte. Morrer não seria tão ruim. Ao mesmo tempo que penso que a tempestade é só pra me deixar mais forte, madura, sem medos, penso que a tempestade é o início do meu fim. E no estado que estou, com as garrafas jogadas, bebendo desesperadamente, um vinho velho com esperanças velhas, o fim seria o começo da volta da minha vida. Mas o fim não chega. Não chega o início. Nada bate à minha porta. E eu estou morrendo. E algo grita: me deixe morrer.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Às vezes tenho medo de que a criança que fui esteja zangada por aquilo que me tornei. Tenho medo de sentir medo daqui a dez anos porque não serei aquilo que quero me tornar.