Aí eu pergunto:Porque? Porque não podia ser eu mesma perto dele? Porque sempre que eu tentava eu me imaginava no fundo do poço, no fundo de um bar, olhando pra o fundo de um copo, contemplada por um bando de gente que ria, e bebia e se deliciava com todas a minhas angústias.E não é papo de bêbada não.
Não é questão de achar que o mundo todo se volta contra mim todos os dias. Mas confesso que é um pouco de tédio que se mistura com aquela velha decepção e BUM! Ta feito. Mais uma paixão retumbante que foi pro saco. Mas tudo bem, meu amor, eu não vou derramar nem uma lágrima. Sabe porque? Porque entre tantos devaneios e músicas e cartas, eu aprendi a rir. É! Rir daquele primeiro encontro marcado que deu errado, rir daquela minha cara de tonta pensando o quanto era pra eu ser feliz mas não deu por sua causa. Por sua causa? O que eu tô falando? Ninguém é feliz por causa de alguém, ou no meu caso pela falta (...) Mas onde eu estava mesmo? Ah (...) sim: rir, felicidade,... Essas coisas que não me visitam a algum tempo, exceto sob o efeito do álcool, mas não, eu não estou bêbada. Eu estou t-o-t-a-l-m-e-n-t-e consciente. E quando eu caio na real e vejo toda essa babaquice, essa sujeira, esse material tóxico espalhado pela minha vida (...) Eu escrevo.
Escrevo porque não acho que devo sair gritando por aí tudo aquilo que me atormenta, da mesma forma eu preciso me organizar e aí não consigo guardar só em pensamento. Mas o mais preocupante é que ultimamente você tem sido mais centro das atenções no meu pensamento e no papel do que eu mesma.
Talvez devesse existir algum tratamento anti-você. Sabe, eu penso: "se tem tratamento pra quem bebe demais, fuma demais, ama demais, come demais, sofre demais, porque não um tratamento pra quem se ilude demais?" É!! Daqueles que te apresentam métodos alternativos de viver bem sem o sujeito o qual você havia se iludido.
E eu seria a primeira a comprar, justamente por que parece que eu vivo pra sempre no mundo que eu criei e botei você mais como protagonista do que eu. Olha, chega desse papo de bêbada. Acho que vou voltar pro meu fundo do bar, no fundo do poço, contemplando seus passos errados e esperando que você se arrependa. E aí eu vou rir. E aí vou criar um novo texto falando de você. Espera um pouco.
Garçom, traz mais uma?